segunda-feira, 26 de maio de 2014

O que a Microsoft pode aprender com a Motorola?



Até o ano passado, a Motorola parecia destinada a ser mais uma gigante da tecnologia vivendo de glórias passadas. Concorrentes como Samsung, Apple e, mais recentemente, LG e Lenovo vinham lhe dando uma surra nas vendas de smartphones, conforme reconheceu recentemente em entrevista ao Estado seu próprio presidente, Rick Osterloh.
Então, em setembro do ano passado, a empresa tirou da manga um aparelho chamado Moto X, o primeiro desenvolvido sob a tutela do Google, que foi dono da empresa entre 2012 e o início deste ano.
O Moto X não tinha tela curva nem medidas gigantes. Sua aparência era lisa e espartana. O software se concentrava no necessário, dispensando aqueles apps de fabricante que ninguém usa. Além disso, o preço era ótimo pelo que se oferecia: entre R$ 1.500 e R$ 1.700 por recursos disponíveis em modelos bem mais caros.
O Moto X inaugurou uma nova linha, que depois trouxe o Moto G e o recém-lançado Moto E, os dois também com excelente preço. O Moto G é um sucesso de vendas e de crítica, sendo o modelo mais bem-sucedido da história da empresa, segundo a consultoria GfK.
A ressurreição da Motorola promete não ficar só nesta categoria. O relógio inteligente Moto 360 tem seu lançamento ansiosamente aguardado. O preço foi revelado recentemente como em torno de US$ 250. O design chamou a atenção pela forma arredondada, diferente dos modelos quadrados que imperaram até agora. Com isso, parece um sério candidato a algo que a maior parte dos relógios não conseguiu e que é o objetivo maior da tecnologia vestível: ser usado sem constrangimento no corpo.
Por que as pessoas estão se importando com os produtos Motorola outra vez? Simplicidade e praticidade (aliados a preço amigo). Está aí o caminho sem obstáculos para a preferência do consumidor.
Outra gigante que vive de glórias passadas, a Microsoft, faria bem em anotar. A empresa pena para emplacar seus produtos. Sua linha de tablets Surface é uma sucessão de naufrágios. A atualização de seu sistema operacional Windows para PCs e laptops, o Windows 8, é menos querida até que o caduco XP, a versão do sistema de 2001 recentemente deixada sem suporte pela empresa. Seu sistema para smartphones Windows Phone progride em alguns mercados, mas muito porque os aparelhos Nokia Lumia em que ele está embarcado são de ótima qualidade.
O motivo é que a Microsoft tem um talento especial para complicação. Em 2012, quando lançou o último update importante de seu sistema para smartphones, o Windows Phone 8, a empresa não permitiu que telefones com a versão 7 pudessem atualizar. Quando surgiu em 2012, o tablet Surface apareceu em duas versões, cada uma com sistema diferente, apesar de bem próximos, Pro e RT. E não são poucos os usuários do Windows 8 em PCs que ficam imensamente aliviados ao saber que existe uma opção para sair do mosaico de azulejos coloridos e voltar ao reconfortante ambiente de tela com gramado e céu azul.

Fonte: Blog O Estadão

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